5 cartunistas “malditos” que – às vezes – falam o que você não quer ouvir

Basta uma ilustração, rebuscada ou de traço simples, e poucas palavras para causar um grande impacto. A recepção do leitor a cartuns e charges varia de acordo com seus princípios, em que ele acredita, em que ele considera “certo”, mas é fato que muitos não se permitem sair da própria zona de conforto e tentar enxergar outros significados, interpretar de uma forma diferente e se esforçar em compreender uma realidade, uma expressão ou pensamento aquém ao que está habituado. E aí acontecem desde compartilhamentos raivosos no Facebook até ataques terroristas com saldo significativo de mortos.

 Só no ano passado, em um curto intervalo de tempo, 12 pessoas foram mortas na França no atentado ao subversivo jornal “Charlie Hebdo” e outras foram vítimas em Copenhagen, na Dinamarca, onde o cartunista Lars Vilks vive sob proteção policial desde 2007 em decorrência de ameaças de morte. Pessoal não sabe brincar! É muita ignorância alguém querer silenciar a voz de um artista porque ele pensa diferente de você, e esse backlash vem acontecendo com bastante frequência, sobretudo no atual crise política que estamos vivenciando no Brasil.

 Mas voltando aos cartunistas, aqui vão cinco “polêmicos” que o Buda curte para vocês acompanharem/conhecerem. 

#5 Carlos Latuff

Carlos Latuff é muito conhecido pelos seus cartuns de caráter político, sempre defendendo e dando voz às minorias e satirizando a demagogia de políticos, sejam brasileiros ou do exterior. Sua série de ilustrações em relação aos judeus, a Israel, o Estado Palestino e a Faixa de Gaza são brilhantes e Latuff coloca o dedo na ferida sem piedade. Como deve ser. 

#4 Juan Cornellá

Esse aqui é doente. Cornellà choca todo mundo com suas tirinhas coloridas e personagens sempre sorridentes fazendo algum tipo de aberração. É perturbador e causa repulsa, sim, mas é interessante analisar sob o ponto de vista social, pois o espanhol denuncia e explicita a decadência humana de uma forma bem exagerada justamente com a intenção de causar estranhamento.  

#3 André Dahmer

“Malvados” é uma das melhores séries de tirinhas que temos hoje no Brasil, e o artista por trás dela é o carioca André Dahmer. Politicamente incorreto, os cartuns são uma crítica às prisões e costumes do dia a dia, atentando para a realidade que nos cerca, como a violência e o abuso de poder das autoridades.

#2 Robert Crumb

Falou em anarquia, Robert Crumb precisa ser citado.  Tá aí um cara que não tinha medo de causar revolta nas pessoas, um artista que falava o que queria falar, deixava meio mundo de cabelo em pé e, claro, sofreu as consequências disso. Pra você ter ideia, Crumb reescreveu o livro de Gênesis em versão erótica... tem como ser mais louco que isso? Com humor sempre refinado, foi um dos fundadores do movimento underground de quadrinistas norte-americanos, uma referência da contracultura. Quem se interessar pelo seu trabalho, o Buda recomenda o seu documentário “Crumb”, lançado em 1994.

#1 Glauco

E aqui temos um dos grandes gênios brasileiros dessa vertente criativa. Glauco teve uma morte precoce, nos deixou em 2010 aos 43 anos, mas deixou um legado estimadíssimo para a nossa cultura, com tiras brilhantes de cunho político-social. Um dos pioneiros, junto com Angeli e Laerte (citados abaixo), dessa manifestação de cartuns mais linha de frente, mais confrontadora. Faz bastante falta...

Outros cartunistas fodidos que o Buda recomenda: Francisco Marcatti (esse é maluco!); Luiz Gê (trabalhos muito bacanas em referência à ditadura militar); Angeli (gênio); Laerte (outro gênio, vários trabalhos bacanas sobre identidade de gênero); Lourenço Mutarelli (sociopata bem louco); Pablo Carranza e Henfil.