5 Nomes do rap nacional que - a essa altura - você já deveria ter conhecido

Honestamente, difícil confiar em quem não teve a sua fase Racionais, Sabotage, RZO no repeat. Pode ter durado um verão ou vindo do berço, mas é consenso: Em algum momento você precisa ter experimentado a sensação de que só Mano Brown era capaz de te entender. 

Caso o contrário, tudo bem também, o Blog é do Buda e por isso vamos seguir essa linha de cultivar a tolerância e o perdão. Além disso, a sorte é que ainda dá tempo de se redimir com o Rap Nacional. Se começar com os clássicos já citados parecer pesado para você, chega mais que a nova cena vai bater suave no seu ouvido, sem deixar de ser pedrada.

São muitos os fatores que marcam a fase e é justamente aí que está o segredo: Na mistura. Essa característica nacional de abraçar aos iguais e aos diferentes, se manifesta nos cortiços, nas feijoadas de domingo e, como não poderia deixar de ser, na música. A batida agora vem muito mais completa, inspirada tanto em ritmos mais tradicionais quanto nos modernos funks e eletrônicos. O importado e o nacional também convivem harmoniosamente, resultando em produções universais, capazes de confundir os ouvidos, não fosse o bom tom do português brasileiro cantado com orgulho.

O rap se abriu mais para o mundo, o mundo se abriu mais para ele e está na hora de você abrir nossas indicações e conhecer algumas dessas obras-primas.

#5 Emicida

Sem dúvidas, um dos maiores nomes da música brasileira atual. Para escrever sobre Emicida é bom puxar um dicionário para colocar ao lado porque o som precisa de muito adjetivo. A rima é violenta, de uma agressividade explícita, que ora pela paz. A palavra é arma, a melodia é estratégia de batalha e, sem escudo nem um, o rapper faz um trabalho fino, unindo o melhor das mais diversas influências. Quem conseguiria juntar em um só trabalho a participação de Adriana Drê, Quinteto em Branco e Preto, Pitty, Tulipa Ruiz, Mc Guimé e Rael da Rima? Somente o primeiro álbum de estúdio, O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, do rapper, que chegou já com um histórico de respeito de EPs e Mixtapes lançados previamente. Dá para falar mais? Dá para falar muito! Mas, se eu fosse você, voltava no primeiro trabalho Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe e aproveitava cada uma das faixas lançadas de 2009 até agora sem perder tempo.

#4 Lurdez da Luz

Outra que está longe de ser iniciante, lá pelos anos 1990 a paulistana já se envolvia com o rap e durante algum tempo atuou nos vocais do Mamelo Sound System. Hoje, Lurdez faz carreira solo e impõe respeito, na voz, na criatividade, no peso e na responsa de ser mulher e mãe solteira nesse business. O último álbum, Gana pelo Gang é para movimentar mesmo, mas faz um favor a si mesmo e não perde os ouvidos atentos à rima, que é bonita de se ver.

#3 Flora Matos

A flor do rap nacional tem visto seu nome repercutir nos mais diversos projetos nacionais. Flora aparece no Projeto Studio 62, em parcerias com grandes nomes como Rael e MV Bill, nos festivais nacionais que tem, progressivamente, valorizado a música “feita em casa” e, inclusive, como indicada ao VMB em 2012. A brasiliense  vem para mostrar que mulher não sabe só falar de amor (embora essa em específico, quando fala, é com gosto, favor ouvir Pretin), com letras marcantes que misturam a visão de mundo da cantora ao convite feito para o público, a música parece ser feita para juntar todo mundo mesmo. Prova disso é o trabalho feito em parceria com a dupla Stereodubs: Cativante, envolvente, de respeito.

#2 RAPadura

Expandindo os horizontes, porque olhar só para os lados é bobagem, lá de cima RAPadura chega representando o rap nordestino - aham - com todo o regionalismo que tem direito. O cearense Xique-Chico submerge a rima - que é repente, freestyle e linguagem hip-hop - na rica cultura dos ritmos nordestinos. O peso está nas letras que tratam de realidades periféricas, agrícolas e rompem hegemonias culturais, políticas, religiosas por apresentar um outro lado da história. Afinal o rapper vem mesmo com o intuito de trazer outra cara, normalmente escondida pelo foco centro-sul da indústria fonográfica. Quer ver como “oxe” e “muléstia” combinam com essa rap? Pode escolher uma das duas obras: Fita Molhada do Engenho, de 2010, ou Amor Popular, de 2008, e se entregar sem medo. O chamego nordestino é inevitável e o som é apaixonante.

#1 Karol Conká

E aí, como está sua programação para o próximo final de semana? Porque a curitibana Karol Conká pretende dar um rolê aqui por Maringá e deixar a cidade ainda mais Canção. Essa mulher chega com histórico bonito, eleita Artista Revelação pelo Prêmio Multishow 2013 cheia de parcerias invejáveis (gravou, inclusive, uma música de autoria própria, ao lado de Luiz Melodia) e com o estouro do último clipe Tombei, produzido por Kondzilla, lançado há menos de um mês. Antes disso, o álbum Batuk Freak já tinha inspirado muita gente, por conseguir unir a crítica do rap à alegria vívida que acende a música da Conká. O sucesso tem falado por si só e não tem melhor maneira de conferir do que ao vivo. O show, promovido pelo NYL Maringá, promete ser um tombamento e rola no sábado, 18, no Polo Club. Por precaução, a recomendação é se preparar curtindo a prévia.