5 videoclipes sensacionais deste ano para ver e rever

Ah, é muito difícil e arbitrário e pessoal escolher como destaque somente cinco videoclipes deste ano. Estamos em agosto, muito água já passou debaixo da ponte e muitos vídeos bacanas ganharam os canais de streaming... mas pra não perder o foco, vamos nos ater a somente 5, senão vira bagunça.

Menções Honrosas:

• Azelia Banks – Anna Wintour

• The Carters – Apes**t

• Francisco, El Hombre – tá com dólar, tá com deus

• Lykke Li – Deep End
 

#5 Rubel ft. Rincon Sapiência – Chiste

Parodiando os reality shows de caráter competitivo em que pessoas comuns mostram seu “talento” e ficam vulneráveis diante de uma bancada de jurados, o cantor Rubel concebe com o clipe de “Chiste” uma crítica a esse formato. Mas não é algo pesado, não é intenção de alfinetar ninguém. Ele, em companhia do rapper paulista Rincon Sapiência, sobem no palco e apresentam a coreografia mais ridícula da história da dança, e os jurados aprovam. O clipe é muito engraçado, tem humor, é leve, mas também coloca em perspectiva essa coisa do olhar do outro, da avaliação criteriosa... Pra quê, sabe? Quantas vezes já vimos vídeos aleatórios no YouTube desses programas competitivos em que o candidato foi humilhado pelos jurados? É disso que eu to falando, tudo não passa de uma grande bobagem que não deve ser levada a sério. Como Rubel faz.


#4 Belle Game – Low

Belle Game é uma banda de indie rock canadense que chocou todo mundo com o lançamento do videoclipe da música “Low”. Com closes e aspectos minimalistas, acompanhamos a produção em série de dildos, bonecas infláveis e performance de stop motion simulando relações sexuais/masturbação. Em alternância, vemos imagens de uma mulher pós-cirurgia plástica e um homem cultuando o próprio corpo, tratando-o como se fosse uma entidade. O clipe incomoda, mas é muito reflexo da sexualização das coisas e da própria mente humana, chegar a perceber como até o sexo foi “corrompido” pelo capital e como o prazer pode ser adquirido, bastando passar no débito ou crédito. E não acho que seja só isso, “Low” vem carregado de críticas ao comportamento da sociedade, implícito na condução perfeita e preciosista que é confeccionado um pinto de borracha. Enfim, é um clipe muito, muito louco.


#3 Janelle Monáe – Make Me Feel

Se Prince estivesse vivo, estaria muito contente com a ode que “Make Me Feel” faz à parte de sua carreira. Capturando toda a vibe dos anos 80 com maestria neste videoclipe, a espetacular Janelle Monáe transita por todos os cenários oitentistas possíveis: vai do Purple Rain para os clubes repletos de luzes neon e arrisca até um rolê fitness à lá Olivia Newton John. A alma vintage de “Make Me Feel” está em cada cena: cores, dance music, sensualidade e estilo que transborda. É sensacional.


#2 Johnny Hooker ft. Liniker – Flutua

Estrelado pelos atores Jesuíta Barbosa e Maurício Destri,“Flutua” é um curta-metragem sobre o amor, emoldurado pelo canto libertário na voz do cantor e compositor pernambucano Johnny Hooker. O clipe mostra o envolvimento entre dois jovens homossexuais e o perigo que eles enfrentam por corresponderem ao amor/desejo/paixão alheio. Bem como o recente videoclipe “Take Me to Church”, do Hozier, aqui a canção é corajosa, é firme – “ninguém vai poder querer nos dizer como amar” –, recebe contornos políticos – “amar sem temer” – e sublinha de forma delicada, bem feita e emocionante a sua mensagem com uma história que denuncia a homofobia e a intolerância.


#1 Childish Gambino – This is America

O primeiro lugar não poderia ser diferente... Assim que lançado, em maio deste ano, o videoclipe de “This is America” já veio acompanhado com uma avalanche de teorias, interpretações e referências. Saíram muitas publicações com explicações didáticas sobre o videoclipe, contextualizando o que são os figurantes que surgem em segundo plano enquanto Gambino – identidade artística do excepcional Donald Glover – canta e dança. Alusão ao período da escravatura, intolerância racial, estereótipo do negro na mídia, violência policial, abuso de poder e mais uns ingredientes poucos digestivos dão o sabor de um dos clipes mais críticos e memoráveis dos últimos anos, ao lado de “Formation” da Beyoncé, e “Borders” da rapper M.I.A.