Como os bazares de troca estão mudando a economia

“Joga fora tudo o que você não usa mais”, você já deve ter ouvido esse conselho de alguém próximo, lido por aí talvez ou simplesmente sentiu um impulso que te fez limpar todo o quarto, tirar tudo do guarda-roupas, raspar a cabeça, recomeçar. Não? Pois então está na hora de começar. O ato de “jogar fora” tem mesmo o poder de trazer novos ares para a vida e dar gás para ideias que, em meio a muita bagunça, acabam se perdendo.

Mas acontece que o lixo de um é o luxo de outro. E aí dá para fazer toda essa limpeza - material e espiritual - sem precisar descartar nada. Partindo desse pressuposto, recentemente tem crescido cada vez mais o número de bazares de troca, organizados por empresas, pessoas ou grupos com finalidade social.

A proposta é a mesma do que você fazia com suas primas nos anos 90. A boa e velha limpa no armário: Roupas, acessórios, CDs, livros antigos, objetos decorativos, brinquedos, tudo o que puder ter sua utilidade redescoberta pode ser objeto de troca, e aí a forma e o segmento que essas trocas vão seguir dependem muito da proposta de quem agiliza o bazar. Alguns preferem trabalhar só com roupas, outros determinam ‘moeda de troca’ dentro dos próprios eventos e há ainda quem abra o espaço para venda de outros produtos.

As variáveis são muitas, mas o fato é que focando na sustentabilidade dá para repensar a forma como o consumo tem se consolidado nos tempos modernos. Eventos que se dispõe à troca trazem uma nova visão de economia e capital de giro. Afinal, se o dinheiro, esse monte de papel, é moeda de troca, o que mais também pode ser? Por que comprar o novo é tão atraente? Aliás, o que é o novo?

Recentemente o documentário The True Cost, dirigido por Andrew Morgan abordou de forma honesta e chocante os efeitos da indústria Fast Fashion no meio-ambiente e na população de países mais pobres. Esses efeitos nocivos são gerados pela indústria da moda, que por sua vez é sustentada pelo consumo irresponsável. Sendo assim, quem sabe esses efeitos começam a ser transformados, com as novas políticas de “mais troca”? Afinal, o descarte é tão nocível quanto o acúmulo. Se tratando de bens materiais, de economia ou de formas de se viver, a lição acaba sendo a mesma: O ideal é fazer a energia circular.