BIRDMAN: mais vale um Oscar na mão...

No início da awards season, em meados de novembro, o drama Boyhood – Da Infância à Juventude saiu na dianteira como um dos queridinhos da crítica especializada, tendo recebido vários prêmios dos círculos de críticos espalhados pelos Estados Unidos. Não é para menos. O filme é excelente e chama a atenção pela forma com que foi concebido: o roteiro acompanha o amadurecimento de um garoto ao longo de 12 anos. Boyhood ainda recebeu o Globo de Ouro e o BAFTA – considerado o Oscar britânico – na categoria Melhor Filme.

Eis que chegou no Oscar e o favoritismo não se confirmou. Duas semanas antes da Academia de Hollywood deliberar as estatuetas douradas, a hilária comédia Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) começou a surpreender ao levar os prêmio dos sindicatos artísticos (produtores, diretores, atores, roteiristas, diretores de fotografia, etc). 

  Protagonizado por Michael Keaton, a comédia Birdman foi o grande vencedor do Oscar

Protagonizado por Michael Keaton, a comédia Birdman foi o grande vencedor do Oscar

A questão é que justamente a maioria desses profissionais sindicalizados é quem forma os 6 mil votantes do Oscar. Resultado: Birdman levantou voo e surpreendeu ao levar 4 prêmios no Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Fotografia. Já Boyhood se contentou com apenas uma estatueta na categoria Melhor Atriz Coadjuvante para Patricia Arquette. 

O ator Eddie Redmayne desbancou Michael Keaton na categoria Melhor Ator pelo retrato comovente do astrofísico Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, enquanto o veterano J. K. Simmons levou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante como o carrasco professor de música no insano Whiplash: Em Busca da Perfeição, que também levou os prêmios de Melhor Montagem e Mixagem de Som. Julianne Moore finalmente foi reconhecida no Oscar e foi ovacionada ao ganhar seu merecido Oscar pela linguista com uma espécie rara de Alzheimer precoce em Para Sempre Alice

  Os atores vencedores do Oscar 2015: da esq. p/ dir: Simmons, Arquette, Moore e Redmayne

Os atores vencedores do Oscar 2015: da esq. p/ dir: Simmons, Arquette, Moore e Redmayne

Birdman é o grande vencedor da noite, mas se for para comparar em número de estatuetas, a comédia empata com outra comédia inspirada, O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson, que foi reconhecido nas categorias técnicas Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Melhor Trilha Sonora para o francês Alexandre Desplat, que semanas antes tinha recebido o Grammy pela mesma composição. 

O Brasil não figurou entre os pré-finalistas da categoria Melhor Filme Estrangeiro – a Argentina emplacou a comédia Relatos Selvagens, chupa! –, mas o nosso país marcou presença com o documentário O Sal da Terra, sobre a vida e obra do fotógrafo Sebastião Salgado. O longa, inclusive, foi codirigido pelo filho do cara, Juliano Ribeiro Salgado. Mas nem os hermanos, nem a gente saímos com prêmios. O polonês Ida, sobre judeus e as cicatrizes abertas da Segunda Guerra Mundial – sabemos que o Oscar pira no Holocausto – e o documentário CITIZENFOUR, sobre o WikiLeaks, foram consagrados.

Na parte musical, rolou apresentações na cerimônia de Neil Patrick Harris, Lady Gaga, Anna Kendrick, Jack Black, Tegan and Sara, Tim McGraw, Rita Ora, Adam Levine e Jennifer Hudson. O pianista John Legend e o rapper Common levaram o Oscar pela canção Glory (ouça abaixo), feita especialmente para a trilha do emocionante filme Selma – Em Busca da Igualdade, que recria a marcha pacífica dos negros sulistas em luta pelo direito do voto nos anos 1960.

E aí, o que achou do resultado do Oscar 2015? Conta para a gente nos comentários.