Projeto Boca Santa reúne as línguas da literatura maldita brasileira

Os 120 dias de Sodoma, do Marquês de Sade, deixam claro que, mesmo no século XVIII, por baixo de toda aquela roupa, há sempre algo de muito sujo, libertino e proibido no âmago da humanidade.

Cá em 2016 muita coisa mudou, mas não isso. As categorias já são +18: Filho da puta. Caralho. Boceta. Foda-se. Cu. Merda. Porra. Cabaço. Bronha. Puta que pariu. Cada uma dessas expressões introduz um título da coleção Boca Santa, projeto idealizado por Luis Rafael Monteiro e protagonizado por diversos artistas brasileiros, escritores, editores, ilustradores, fotógrafos...

Os oito livros da coleção reúnem textos sujos, tão mal-ditos quanto bem escritos, que abordam pequenos tabus que geram grandes dilemas ou vice-versa. O trabalho é ora poético e sexual, como no Ex-porro (poema sugo), de Daniel Minchoni e Kiko Dinucci, ora uma extensa prosa que O Atormentado tem consigo mesmo no banheiro, ora um extenso desabafo mal-formatado, mas de palavras precisas, como na obra dedicada à Selva e mais ninguém.

A proposta segue a linha inspiradora de Nelson Rodrigues, Hilda Hilst e outros artistas marginais brasileiros, reunindo línguas que falem bem mesmo que falando mal. Não há censura que impeça as palavras de deslizarem morro abaixo no quesito sutileza. Textos e imagens bem casados trazem a tona os temas sujos do cotidiano: A dor, o sexo, as dúvidas, as entregas e toda essa zona que envolve estar vivo. Em resumo, como descreveu o já consagrado Marcelino Freire: Do caralho!

Além dos livros já publicados, a Boca Santa também já lançou curta-metragem, música e tem como casa o Mercado Pirata, bar de rock ‘n roll, arte e cultura de Balneário Camboriú. A ideia do fundador Luis Rafael Monteiro é ampliar cada vez mais os meios de circulação da marca, agregando artistas e colaboradores ao projeto. Todo o trabalho fica disponível no endereço http://www.boca-santa.com e nas bocas sujas - aliás, santas - por aí.