Brasil representa em Cannes com filme ‘Aquarius’

O Festival de Cannes, a maior vitrine do ramo do cinema no mundo, começou nessa semana lá no sul da França, onde eu, você e qualquer pessoa gostaria de estar. E em Cannes funciona da seguinte forma: a organização do evento disponibiliza várias mostras de filmes, algumas paralelas e outras que contêm produções de todo o mundo em competição pelo prêmio, deliberado por um júri. Entre as mostras competitivas, tem a Caméra D’Or (para cineastas estreantes), a Un Certain Regard (com aqueles filmes que nunca entram em cartaz no Brasil) e a mostra da seleção oficial com os títulos concorrendo pela cobiçada Palma de Ouro.

E é nessa última, na mais foda de todas, que o Brasil se faz presente com o drama “Aquarius”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, mesmo realizador do excelente “O Som ao Redor” – tem no Netflix! “Aquarius” é o nome do residencial em que Clara mora, o último prédio do estilo antigo da Av. Boa Viagem, no Recife. Quando uma construtora chega querendo demolir o prédio para construir um novo empreendimento, a viúva vai juntar forças para frear a especulação imobiliária.

Parece um filmaço! E com uma temática bem atual, basta lembrar do movimento social #OcupeEstelita contra as empreiteiras da capital pernambucana. Direto da geladeira da Record (mentira), ressurge a atriz Sonia Braga no papel da protagonista, que divide a cena com Maeve Jinkings, Carla Ribas e Irandhir Santos, todos atores de talento.

Aos poucos, o cinema brasileiro, que não é só “putaria e palavrão” como muitos ainda insistem em dizer, está sendo reconhecido no exterior. Em fevereiro desse ano a animação independente “O Menino e o Mundo” foi indicada ao Oscar, e isso é uma conquista e tanto para uma cinematografia como a nossa que não tem tradição nenhuma e pouca especialização profissional nessa área da técnica animada. 

Se rolar de o Brasil ganhar a Palma de Ouro, será a segunda vez que venceremos Cannes. A primeira e única vitória do país no festival faz um tempo, foi em 1962, com a obra-prima “O Pagador de Promessas”, adaptação de Dias Gomes pras telonas. Mas a concorrência tá bem tensa, tem muito cachorros grandes como Paul Verhoeven, Pedro Almodóvar e Jim Jarmusch, por exemplo.

Resta torcer para que o presidente, George Miller – diretor de “Mad Max” –, e os demais membros do júri aprovem nosso representante na disputa. Os vencedores do Festival de Cannes serão anunciados no dia 22 de maio. Dedos cruzados!