Mais cinza?

Um dos temas que mais rendeu discussões nos últimos dias foi o programa “Cidade Linda”, apresentado pela atual gestão da prefeitura de São Paulo, que visa deixar a metrópole mais “agradável aos olhos”, sem a relativa agressão das pichações e dos grafites que, até semana passada, davam cor a algumas de suas avenidas, como o mural da 23 de Maio. O prefeito João Dória ativou o cartucho cinza e não poupou, não, mandou nas paredes sem piedade, preservando só alguns grafites de artistas prestigiados da categoria, como Osgemeos e Nina Pandolfo. Já os outros que não são tão famosos, um abraço, estão sob uma camada de 10 demãos de tinta cinza.

Complicado. Isso gerou revolta na classe e protestos foram organizados. No Facebook, começou o ativismo de telão e pessoas cujo único argumento é “não gosto de pixo, não gosto de grafite” começaram a opinar. De repente, a timeline se dividiu em quem é a favor da manifestação (contra-)artística e os que preferem as paredes monocromáticas.

Para tentar resolver essa situação e acalmar os ânimos de geral, Dória e o secretário de Cultura anunciou que vai rolar uma tal Museu de Arte de Rua, no Baixo Augusta, que é um espaço em branco dedicado aos grafiteiros e muralistas mostrarem sua arte. Esses locais serão previamente procurados pela administração municipal para autorizar o uso do espaço. Isso, definitivamente, não faz o menor sentido. Não faz parte da lógica do grafite ter um espaço exclusivo e delimitado para sua expressão. Fazer um “grafitódromo” e dizer aos artistas “vocês só podem usar aqui” vai contra a liberdade da arte urbana. É uma tentativa frustrada de adestramento. Não é liberdade, isso tem mais é cara de censura.

Bom, o Buda espera que essas tretas sejam resolvidas da melhor forma possível. E que, em pleno 2017, a questão do pixo/grafite seja elucidada para que não haja mais nenhum tipo de confronto ideológico. Uma sugestão do Buda é para assistir ao documentário “Cidade Cinza”, de Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo. O filme está disponível na Deep Web. Vale a pena conferir.

E pra finalizar a postagem, aproveitando o ensejo, o Buda queria destacar que a comunicação visual de todas as unidades do Rock and Honda foi desenvolvida pelo artista grafiteiro Nuno Skor. Pra conhecer mais sobre o cara e o seu trabalho, saca esse perfil (link: http://www.rockandhonda.com.br/blog-do-buda/nuno-skor) que o Blog publicou há algum tempo.

E viva a arte!