Comadres Fulozinhas: Alessandra Leão, Isaar França e Karina Buhr

Despontando como uma das principais bandas do movimento Manguebeat, Comadre Fulozinha surgiu em 1997 ainda como “Comadre Florzinha”, nome que também deu título ao primeiro trabalho do grupo, de 1999. A música das Fulozinhas e de todas as integrantes é peça importantíssima para entender como a música pop no Recife conseguiu se apropriar da cultura popular sem perder seu lado cosmopolita. Por isso, achei importante mostrar um pouco das Comadres e de algumas integrantes que seguiram carreira solo.

Logo após o lançamento do primeiro disco, e a mudança de escrita para Comadre Fulozinha, Karina Buhr, Alessandra Leão e Isaar França deram continuidade ao projeto inicial, tocando em diversos lugares pelo Brasil, Europa, Estados Unidos e Canadá, além da participação na montagem de peças do Teatro Oficina, com direção de José Celso Martinez Corrêa: "Bacantes", em 2001, e "Os Sertões - A Terra", em 2002/2003.

A música das Fulôs tem como base as percussões e as vozes, com influências diversas e utilização de instrumentos variados: bombo, zabumba, congas, djembê, ilú, saxofone, cavaquinho, violão, rabeca, alfaia, entre outros.

Até 2009, dois outros discos foram lançados: “Tocar na Banda” (2003) e “Vou Voltar Andando” (2009). A vivência com as brincadeiras e os cortejos de rua de grupos tradicionais de Pernambuco, como o Maracatu Piaba de Ouro, Afoxé Ylê Egbá, Maracatu Estrela Brilhante, entre outros, trouxe uma identidade única ao grupo. Esse destaque na música contemporânea brasileira e no movimento Mangue trouxe muitas outras possibilidades importantes: participações nas trilhas sonoras de "A Máquina", de João Falcão, "Deus é Brasileiro", de Cacá Diegues e "Narradores de Javé", de Eliane Caffé. E também nos discos "Por Pouco", da Mundo Livre S/A (faixa Minha Galera, de Manu Chao); "Contraditório", de Dj Dolores; "Original Olinda Style", da Eddie; "Pernambuco Falando Para o Mundo", de Antônio Nóbrega; as coletâneas "Baião de Viramundo", "Pernambuco em Concerto" III e IV, "Reiginaldo Rossi" e "Music From Pernambuco".



KARINA BUHR

Baiana, Karina Buhr foi morar em Recife aos 8 anos de idade. Já em 1992, aos 18 anos, começou a tocar percussão e cantar no maracatu Piaba de Ouro, integrando depois o maracatu Estrela Brilhante do Recife. Foi integrante da banda Eddie e participou de muitos projetos de outras bandas e artistas como Mundo Livre S/A, Chico Science e Nação Zumbi, DJ Dolores, Antônio Nóbrega, Erasto Vasconcelos, Naná Vasconcelos, Mestre Ambrósio, Cidadão Instigado, Bonsucesso Samba Clube, bandinha de pífanos Zabumba Véia do Badalo, Marina Lima e muitos outros.

Cantora, compositora, percussionista, poeta e atriz, Karina tem três disco lançados na carreira solo: “Eu Menti Pra Você” (2010), “Longe de Onde” (2011) e “Selvática” (2015).

Em “Selvática”, a compositora vem necessariamente agressiva, como esperávamos, da capa até a 11ª faixa, conversando com o pop e o rock, mas não deixando de lado a percussão e as influências da música nordestina do início da carreira.



ALESSANDRA LEÃO

Apesar de longos caminhos traçados, a recifense Alessandra Leão iniciou a carreira solo apenas em 2006, com o disco “Brinquedo de Tambor”. Compositora, cantora e percussionista, Alessandra ainda lançou “Dois Cordões” (2009), além dos trabalhos para os projetos “Folia de Santo” (2008) e “Guerreiras - Trilha Sonora Original” (2010). E mais recentemente a trilogia de EPs "Língua": composta pelos EPs “Pedra de Sal” (2014), “Aço” (2015) e “Língua” (2015).

Nesses 20 anos de carreira, Alessandra Leão atuou ao lado de músicos como: Antônio Nóbrega, Siba, Juçara Marçal, Guilherme Kastrup, Tulipa Ruiz, Cátia de França, Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), Anelis Assumpção e Assucena (Bahias e Cozinha Mineira), tem parcerias com Chico César, Kiko Dinucci, Juliano Holanda e Lívia Mattos.


ISAAR FRANÇA

Também cantora, compositora e instrumentista, Isaar França começou a vida artística como brincante no Maracatu Piaba de Ouro em 1995. Integrou também os projetos DJ Dolores & Orquestra Santa Massa (2001) e DJ Dolores & Aparelhagem (2004), nos quais era a cantora principal e co-autora de algumas músicas. Além da participação em álbuns de artistas como Siba e A Fuloresta, Mundo Livre S/A, Eddie e Cidadão Instigado.

Nos três trabalhos solos lançados, Isaar canta músicas próprias e de alguns outros compositores, como Beto Vilares, Lito Viana, Cássio Sette, e os poetas marginais França, Zizo e Graxa. Os discos são: “Azul Claro” (2006), “Copo de Espuma” (2009) e “Todo Calor” (2014).

Ainda residente em Recife, as músicas de Isaar, assim como de Alessandra e Karina, traduzem muito bem o que foi dito anteriormente sobre as músicas das Comadres: são peças importantes para entender como a música pop no Recife conseguiu se apropriar da cultura popular sem perder seu lado cosmopolita. Cirandas, maracatus, sambas, cavalos-marinhos e toda cultura nordestina eletrificada, pop e com ainda mais ginga.

Além dessas três Fulôs, outros importantes nomes participaram do grupo: Mairah Rocha (vocal, gaita e percussão), Flávia Maia (vocal e percussão), Dani Zulu (vocal e percussão), Marcelo Monteiro (saxofone e flauta), Letícia Coura (cavaquinho, vocal e violão), Maria Helena Sampaio (voz e percusssão), Telma César (voz, rabeca, percussão) e Renata Mattar (voz e acordeom).