Resenha: ‘Dark Sun’, do Corona Kings

O que era para ser um mero EP de 5 faixas deu origem ao segundo álbum de estúdio da banda maringaense Corona Kings. “Dark Sun” foi lançado recentemente e já está disponível na íntegra no SoundCloud. Após a estreia com “Explode”, em 2012, o quinteto ressurge na cena do rock independente com uma sonzera cheia de personalidade, trazendo algumas experimentações ousadas e bem-vindas na composição das músicas.

Em comparação ao disco anterior, “Dark Sun” assume nova roupagem, uma pegada bem mais autoral, madura e a qualidade sonora, dos arranjos à preparação técnica, é evidente. As referências estão todas ali, pois enquanto ouvimos as 12 faixas do disco não tem como não fazer associações com outras bandas, como Queens of the Stone Age e Audioslave – sobretudo o primeiro CD dos caras, o homônimo de 2002 –, mas “Dark Sun” tem identidade própria, é autêntico. Não diria que é um “novo” Corona, porque a essência é a mesma. Mas é um Corona “diferente”, mais arriscado, mais porrada. 

 Capa de "Dark Sun"

Capa de "Dark Sun"

A primeira faixa, “Dreamer”, apresenta uma introdução em piano levemente melancólica, mas não se estende muito, logo abrindo espaço para a guitarra reinar, o que define o tom para o restante do disco. Na sequência, “Breathe” segue a cartilha, é o típico arroz e feijão, porém com tempero de lamber os dedos. É a música que mais lembra o “Explode” por conta de sua estrutura definida: início suave + refrão martelada e chiclete + ritmo quebrado aos poucos + desfecho abruto e impactante.  É muito boa e serve perfeitamente como esquenta para a terceira faixa, que nasceu pra ser hit, não à toa é a música escolhida para batizar o álbum.

Antes da martelada que se anuncia, em “Dark Sun” rola uma ambientação com sintetizadores, um rolê meio obscuro com leves traços de psicodelia. Mas isso é só o começo, logo a guitarra come solta, culminando no solo de encerramento que é foda. E por falar em guitarra, as composições mais pedrada do álbum, com clara influência hardcore, em que os guitarristas Endrigo e Felipe Dantas brilham, são “Tombstone Blues”, “Sweet Paranoia” e “Wake Up”, esta última com a participação do vocalista da paulista Sugar Kane, Alexandre Capilé. 

Para equilibrar, há também as músicas mais lentas, como “Dead and Gone” e “Saving Me”, que, ao final, traz um solo sensacional do João Manoel, da Stolen Byrds. Ambas apresentam letras mais profundas e com uma pegada reflexiva. Já “Triton”, a oitava faixa do disco, se aprofunda principalmente no arranjo sonoro, talvez a faixa em que os instrumentos se mostram em maior sincronia, numa cadência muito bem elaborada. O trompete charmoso é a cereja do bolo.

Outro aspecto admirável em “Dark Sun” é a preocupação na sequência das faixas, que segue uma alternância interessante, revelando um álbum coerente que reforça o Corona como uma das bandas mais respeitáveis do cenário musical independente. ‘Dark Sun’ é de tirar a coroa ;)