Os esquecidos no churrasco: quem merecia mais amor no Emmy 2018?

A entrega de troféus da maior e mais importante premiação da TV norte-americana, o Emmy, aconteceu nesta semana. Na ausência de “Veep” e “Better Call Saul”, duas das séries mais queridas entre os votantes e que não eram elegíveis neste ano porque as produções entraram em hiato, “Game of Thrones” (não merecia é nunca) e “The Marvelous Mrs. Maisel” (sensacional, gabaritou tudo, justiça foi feita) foram consagradas na categoria principal em Drama e Comédia, respectivamente.


Entretanto, mais uma vez, o Emmy preenche o seu álbum com figurinhas repetidas. É muito raro os votantes darem atenção a séries novatas e de qualidade, quase sempre as preterindo por aquelas que já estão bem posicionadas no universo do entretenimento e rendem bons números de audiência. Abaixo, comento algumas produções que tiveram temporadas bem boas e mereciam mais destaque na corrida de prêmios.


MINISSÉRIE

Aqui é um motivo para se envergonhar. Se o Emmy fosse justo, essa categoria nem haveria concorrentes. Bastava entregar a estatueta para David Lynch e seu “Twin Peaks” que estaria tudo certo. Mas “Twin Peaks” sequer foi indicado! Uma das minisséries mais geniais e revolucionárias da história da televisão não foi nem finalista. Mano, respeita a história! Depois de duas temporadas lançadas nos anos 90 e tombadas como patrimônio cultural, a season 3 de “Twin Peaks” não é indicada a Melhor Minissérie, porém é reconhecida nas categorias Melhor Direção e Melhor Roteiro. Coerência mandou um abraço.

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COMÉDIA

A categoria foi boa, foi bem forte, mas o lobby e a campanha estruturada não deram espaço para séries “menores” e que brigavam de igual pra igual com algumas das indicadas. “The Good Place”, da Netflix, é uma que deveria ter sido mais prestigiada. Aparentemente é bem bobinha, mas revela-se bastante original em sua premissa e criativa com o avançar dos episódios. Seria um frescor para a categoria em vez de contar com o piloto-automático de “Curb Your Enthusiasm”, por exemplo.


Pamela Adlon foi indicada a Melhor Atriz, mas ficou por aí, sendo que “Better Things” também teve uma ótima temporada. O mesmo para “One Day at a Time”, também da Netflix, que é aquele tipo de sitcom de formato quadrado, mas que surpreende por abordar uns temas “cabeludos”. Mas volto a repetir: a safra para a Comédia está bacana. E ainda bem que o Emmy abandonou de vez “Modern Family”, porque né, alguém mais aguentava?

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DRAMA

Vixe, aqui o bicho pega. Vou tentar não ser injusto porque essa questão de citar os esnobados envolve muito a opinião pessoal. Varia de gosto. Particularmente, aqui a categoria também ficou legal, mas é aquela questão entra ano, sai ano: cadê a novidade, minha gente?


“Game of Thrones” voltou e ganhou novamente. Foi meio chocante, dividiu opiniões. “The Americans” voltou também – esse muito merecido. De resto, foram os mesmos 5 indicados do ano passado. Não digo que é desmerecido. No entanto, sentimos a falta de um “Killing Eve”, que teve uma temporada de estreia sensacional na BBC, ou “Ozark” (Netflix), que teve 2 indicações em Melhor Direção pra “nada”, ou o olhar vibrante da HBO para a indústria pornográfica em “The Deuce”, ou ainda o spin-off da premiadíssima “The Good Wife”, “The Good Fight”, considerada um dos melhores lançamentos da era Trump. E a lista continua.

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Esse ano não foi muito longe, mas quem sabe em 2019 o Emmy nos surpreenda...