Festival Kinoarte e a celebração do cinema nacional

Ao lado do Olhar de Cinema, festival que acontece anualmente em Curitiba em meados de junho, o Festival Kinoarte em Londrina, que começou na última sexta (18) e prossegue até o dia 27 de novembro, é o maior evento cinematográfico do Paraná. A programação contempla não somente exibições de filmes inéditos, mas também debates, mostras infantis gratuitas e uma mostra competitiva de curtas-metragens de âmbito nacional, internacional, paranaense e made in Londrina.

Nesse ano, o festival chega à sua 18ª edição e com uma grade de 64 filmes, com destaque para títulos nacionais de prestígio e três internacionais que já entraram na história do cinema: o casal Mastroianni-Loren em “Um Dia Muito Especial” (1977), o emocionante “Felizes Juntos” (1997) e o premiado em Cannes “A Assassina”, lançado neste ano no Brasil.

No dia 20, o festival celebra o Dia da Consciência Negra com filmes relacionados ao tema, seguido de debates. Nesse balaio, está o documentário “Pitanga”, sobre a vida e obra do ator Antonio Pitanga, que é relativamente esquecido atualmente, mas foi um importante símbolo da resistência no cinema, tendo trabalhado com Glauber Rocha e outros expoentes do movimento Cinema Novo. O documentário é codirigido por Beto Brant e Camila, sua filha.

 Documentário Pitanga

Documentário Pitanga

Além dessa mostra especial, terá outra em memória do esporte olímpico, com a exibição de três curtas-metragens brasileiros. Entre eles, “O Nadador”, de Rodrigo Grota, que documenta a trajetória de Tetsuo Okamoto, o primeiro medalhista olímpico da Natação Brasileira.

Outros filmes nacionais que integram a programação são o premiado “Califórnia”, de Marina Person, que tem uma trilha sonora espetacular (The Smiths, The Cure, Velvet Underground...); “Brincante”, de Walter Carvalho; o obrigatório “Guerra do Paraguay”, de Luiz Rosemberg Filho, um dos cineastas mais interessantes filmando atualmente no Brasil; “Big Jato”, de Claudio Assis e o ótimo “O Silêncio do Céu”, do realizador Marco Dutra.

Agora, se você estará sem grana ou sem tempo e vai ter que escolher somente um filme pra assistir, a recomendação do Buda é o documentário “Martírio”. Esse é porrada! Dirigido pelo antropólogo Vincent Carelli, o filme adentra as comunidades indígenas e dá voz aos índios para eles relatarem a versão dos fatos pela sua perspectiva. Quando ligamos a TV ou lemos em algumas revistas aí de fontes duvidosas, sempre a culpa recai sobre os índios: os selvagens, agressivos, que invadem território alheio. Pois bem, “Martírio” prova com entrevistas, imagens de arquivo e uma admirável pesquisa histórica que as coisas não são bem assim. É uma obra-prima do nosso cinema, um tratado sociológico que merece ser visto.

 Documentário Martírio

Documentário Martírio

As sessões do Festival de Cinema Kinoarte acontecem na Cineflix Cinemas do Aurora Shopping e no Cine Com-Tour. Vale muito apena para apreciar o cinema brasileiro, que está em uma de suas fases mais criativas e empolgantes.