Foo Fighters e o exercício da boa vizinhança

Existe nesse mundo algum cara mais legal do que o Dave Grohl? É bom músico, envolvido com projetos filantrópicos, recebe muito bem os fãs, faz surpresas em shows, poderia ser o cara mais cabaço do mundo por ter feito parte do Nirvana, mas é todo humildão e acessível. Nem que muita gente se esforce consegue chegar ao nível de simpatia que é esse cara. Às vezes a gente até desconfia “como é que pode ser tão gente boa assim?”, mas é isso aí, sorte de quem convive.

Quanto ao som, o Foo Fighters foi uma das bandas de rock mais tocadas dos anos 90. Inicialmente um nome promissor do cenário independente, assinou com gravadora grande e foi ganhando destaque no mercado fonográfico pela jovialidade e tom cômico que era uma de suas principais características. Após o lançamento do hit “Learn to Fly”, então, os caras só voaram, mas antes já tinham provado que não seria banda de uma música só. “Everlong”, “My Hero”, a melancólica “Walking After You” foram alguns dos singles que ajudaram no estouro e reconhecimento do FF.

Atualmente, não acho que seja exagero classificá-los como uma das bandas de rock mais bem-sucedidas em atividade, pois o Foo Fighters carrega uma legião fiel de fãs há mais de 20 anos e são capazes de seduzir os ouvidos mais jovens por conta da sua musicalidade, que é bastante convidativa. Viraram uma peça comercial? Bem possível. Tá aí Green Day que não me deixa mentir. Mas necessariamente ficaram ruins? Claro que não. É, na verdade, bem louvável quando uma banda consegue se modernizar e angariar novos seguidores sem perder a identidade. E o Foo Fighters eu vejo dessa forma, eles são o pop do rock n’ roll.

joshhomme_dave.jpg

Se não bastasse o (merecido) sucesso, como dito no primeiro parágrafo, o Foo Fighters tem o frontman mais camarada de todos. Não só com os fãs, outra prova disso é o respeito que a banda conquistou com outros músicos, a ponto de dividirem o palco de vez em quando, e assim exercitar o bom convívio na música, afinal há espaço para todos. E por mais que a mídia posicionasse, por exemplo, Foo Fighters e Weezer como rivais nos idos anos 90, as duas bandas já calaram a boca de todos em 2005 quando tocaram juntos na turnê Foozer, e essa parceria está se repetindo com a nova turnê que começa neste mês. O Weezer, que lança nesta semana o álbum “Pacific Daydream”, é convidado especial do FF na tour entre janeiro e fevereiro de 2018.

No Brasil, aí eles já trocam de banda. O Foo Fighters tem tanta moral que chamou ninguém menos do que Queens of the Stone Age para dividir o palco. Essa turnê conjunta vai passar por Rio, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre entre fevereiro e março, uma oportunidade de ambos mostrarem seus novos trabalhos: o Foo Fighters com “Concrete and Gold”, seu nono álbum de estúdio, e o Queens vai divulgar o LP “Villains”, no qual trabalhou com o influente produtor britânico Mark Ronsom, e o resultado ficou lindo.

ffTOURSITE.jpg

Quem acompanha as bandas sabe que Grohl e Josh Homme são amigos de longa data e frequentes colaboradores. Vale relembrar a famosa parceria em “No One Knows”, do excelente disco do Queens, “Song of the Deaf” (2002), no qual Grohl atacou de batera em algumas faixas.