Funk: como te gusta?

Do gueto ao luxo, o princípio do funk surgiu como grande parte dos gêneros musicais mais famosos: na origem afrodescendente. O funk, como título norte-americano, misturou soul, rythym e jazz a um groove mais dançante e caliente, que parecia ser justamente o que a sociedade precisava à época.

 James Brown

James Brown

James Brown foi o maior nome do funk em sua origem, com seu famoso Soul Train, um álbum recorde em termos de hits. Cada single foi, à época, uma nova descoberta e até hoje um aprendizado para quem não conhece a música como um instrumento dançante natural. Em outro momento, Parliamente e Funkadelic fizeram o movimento do funk fervilhar e se tornaram clássicos no ritmo.

No Brasil, o gênero veio de várias formas. A importação agradou os ouvidos da MPB, resultando em bandas como a paulistana Funk Como Le Gusta, que estourou com o hit 16 Toneladas. O projeto tinha à frente James Müller, Emerson Villani, Kito Siqueira e outros importantes nomes da música local.

Organicamente, a periferia do Rio de Janeiro tratou de fazer sua própria versão do funk. A polêmica foi lançada. As letras, a princípio, tratavam de temas como sexo, violência e a vida cotidiana das favelas. Ainda assim, o sempre polêmico - e genial! - Tom Zé, em entrevista ao Jô Soares, declarou que “atoladinha”, continha em sua musicidade um "metarefrão microtonal e polisemiótico”, que havia sido desencadeado pela Bossa Nova.

Por essas e outras, por muito tempo, o gênero permaneceu dentro do gueto onde nasceu, até que começou a invadir trilhas de novelas, rádios e a indústria fonográfica como um todo, adequada a esses meios, midiática. No fim das contas, o funk tem tantas histórias quanto os lugares onde toca e quanto as pessoas à quem toca. E tu? Qual o funk que te gusta?