Lollapalooza 2017: cinco artistas que você não deve ignorar

O Carnaval ainda não acabou. Não para a galera do alternativo, que além de pagar o IPVA, o IPTU e o licenciamento do carro, foram heróis e conseguiram poupar dinheiro para curtir os dois dias do festival Lollapalooza, que rola em São Paulo neste final de semana nos dias 25 e 26 de março.

Metallica e The Strokes são os headliners desta edição, que conta com uma line-up bastante eclética. Tem The XX apresentando álbum novo, o punk rock do Rancid, The Chainsmokers pra quem gosta, os novos singles sensacionais do The Weeknd e a música icônica oitentista do Duran Duran. Mas é preciso ser dito: esse Lolla pertence às mulheres. Tem MØ, tem o som excepcional e cheio de atitude da Tove Lo, as meninas do Tegan and Sara, a excêntrica Melanie Martinez e Brasil muito bem representado com a voz singular da Céu.

Mas todos esses artistas listados já estão estabelecidos no mercado fonográfico e certamente vão ter suas apresentações lotadas. O intuito deste texto é apresentar cinco boas bandas/cantores que são poucos conhecidos por aqui e merecem uma chance.

Antes de dar start na lsita, é preciso ser dito, porque o peito do Buda esquenta de orgulho: Maringá (alôôô interior do Paraná!) está em dose dupla no Lollapalooza deste ano com o Vintage Culture e os irmãos do Chemical Surf. Para quem curte música eletrônica, estão aí dois artistas da terrinha que valem a pena escutar.

E por falar em eletro, começamos a lista com...

MARSHMELLO

Um capacete branco. Dois olhos negros fechados. Um sorriso amável. Esse é o novo rosto da música eletrônica. Vestindo sempre um capacete de marshmellow, cria-se um enigma em torno da figura desse produtor que ninguém sabe a identidade, tipo o Banksy pras artes visuais.  O mistério vai além do marketing e se revela interessante porque o som é colocado à frente da imagem e a música fala por si só. E que batida louca! É muito surpreendente quando o techno encontra abrigo para além do obscuro e da repetição. Aqui é o oposto. A marca registrada de Marshmello é a melodia alegre, intensa e estimulante. O DJ tem só um CD lançado (“Joytime”), e já atuou no mainstream fazendo parcerias com Skrillex, Diplo, Avicii e Ariana Grande.


SILVERSUN PICKUPS

De Los Angeles, o quarteto Silversun Pickups está em atividade desde 2005. Embora a pouca visibilidade, o som, marcado por guitarras distorcidas e que te transporta diretamente para os anos 90, não deve ser descartado. É impossível ouvir a banda sem remeter a Smashing Pumpkins, por exemplo, ou ao experimento sonoro do Sonic Youth. Recentemente, o Silversun Pickups estreiou seu selo audiosvisual com um documentário em curta-metragem que pode ser visto no Vimeo oficial da banca. O filme traça um pouco da trajetória deles, retratando a amizade, independência e como fazer uma gravação. O destaque da discografia dos caras é o EP “Pikul”.


VANCE JOY

Vance Joy é o nome artístico de James Keogh, um australiano de 29 anos que ficou bastante conhecido no meio musical por abrir shows em arenas lotadas para a cantora pop Taylor Swift. O rapaz chamou atenção pela voz adocicada e lirismo romântico. Seu primeiro single, “Riptide”, talhado no ukelele, apresentou ao mundo o seu indie-folk cheio de coração. Joy canta sobre amores perdidos, corações partidos, mas tem a destreza de sonorizar lamúrias de pé na bunda sem ser mela-cueca, isso é arriscado e admirável quando atinge algum êxito. O primeiro álbum de Vance Joy foi lançado em 2014, é muito bom, e o próximo está a caminho.


THE OUTS

Criolo, Suricato e Jaloo vestem verde e amarelo no palco do Lollapalooza. Além da música eletrônica made in Brazil que está bastante presente no festival, há outros artistas nacionais com estilos e sonoridades diferentes, próprias. Um que é menos conhecido do grande público é a banda underground carioca The Outs, que manda um som muito, muito próximo do britpop, as vozes são iguais, as vibrações sonoras também, até a pose! Não é à toa que eles receberam um elogio do rabugento Noel Gallagher. Em 2015, o The Outs lançou seu primeiro álbum de poucas faixas, “Marmelade Land”, e já dividiu o palco com Mac DeMarco, por exemplo. Fino! No ano passado, o quarteto assinou com a gravadora Deckdisc e está em estúdio para lançar seu segundo disco, intitulado "Percipere". Tá aí uma banda para ficar de olho.


GLASS ANIMALS

O Glass Animals já chegaram na voadeira com os dois pés na porta. Em 2014, fizeram seu debut com o álbum “ZABA”, apadrinhado pelo influente produtor britânico Paul Epworth. No segundo semestre do ano passado, mostrou que o disco de estreia não foi jogada de sorte, se superaram com o ótimo e ambicioso “How to Be a Human Beign” e se consolidaram na meio com aprovação unânime da crítica musical. Em tão pouco tempo, o Glass Animals já se apresentou no Coachella, no Glastonbury e desembarcam pela primeira vez no Brasil para apresentação no Lolla. Vale o seu play.