Mães de verdade, do luto à luta

Há algum tempo, o conceito de mãe vem recebendo outros significados por conta dos múltiplos papéis que as mulheres desempenham hoje em dia. É trabalho fora e dentro de casa, o que inclui dedicação às crianças e a quem divide o mesmo teto. A pressão vem de todos os lados, porque se você não desempenha nenhum desses trabalhos com “competência”, é alvo de críticas. “Nossa, ela trabalha demais, nem dá atenção ao filho” ou “Ah, mas pra ela é fácil né, só é dona de casa”. Quem nunca ouviu essas? Não diretamente, claro, mas sobre alguma mãe? É osso... 

Portanto, diante de todas essas flechadas, fica registrada a nossa admiração a todas as mães: das que preferiram encarar o mercado de trabalho e dividir essa jornada com a educação dos filhos até à que optaram em fazer o trabalho  de cuidar do lar e acompanhar o crescimento da criança de forma mais próxima. A escolha é da mulher, e independente do que ela escolher, o correto é respeitar.

Enfim, diante dessas reconfigurações do que é ser mãe hoje em dia, o Buda pede licença para falar de uma parcela das mães em específico. O Dia das Mães está próximo e sorte é de quem a tem por perto para poder dar e receber amor. Ou sorte da mãe que tem o(a) filho(a) por perto para receber um afago. 

Maio é o mês das Mães, mas também simboliza dois movimentos de luta, um no Brasil e outro na Argentina, protagonizado por mulheres, por mães que se reuniram para exigir justiça da polícia e do Estado. 

No país vizinho, as Mães da Praça de Maio (Madres de Plaza de Mayo) completaram 40 anos incansáveis de luta pela verdade, pela memória, pela vida. Tudo começou em 1977, em plena ditadura militar, quando 14 mulheres se agruparam na tal praça, localizada em frente à sede do governo em Buenos Aires. Elas estavam lá para protestar por seus filhos desaparecidos. Sofreram repressão desde o primeiro dia, foram perseguidas, se revezavam na praça, porque os militares proibiam reuniões com mais de três pessoas.

Essas mães rejeitam o título de “heroínas”, alegando que qualquer mãe de verdade faria o mesmo. Atualmente, a luta das Mães da Praça de Maio não busca somente a condenação de assassinos e torturadores, mas também por assuntos gerais ligados aos direitos humanos. É uma voz que não se cala. Elas resistem ainda hoje e dizem que vão continuar até que o corpo aguente.

Já no Brasil, o evento foi mais recente, foi em Maio de 2006 no estado de São Paulo. Segundo pesquisa da Universidade de Harvard, foram mortas 564 pessoas (!!!), sendo a maioria desses casos envolvendo participação policial. Dentre essas vítimas, centenas de inocentes e menores de idade. Episódio conhecido nacionalmente como Crimes de Maio, diante da chacina promovida pela polícia paulista e do desinteresse da Justiça de punir os assassinos, nasceu o movimento Mães de Maio. 

A cineasta Susanna Lira prestou uma homenagem a essas mães com a produção do documentário “Não Saia Hoje”, que reúne depoimentos dos familiares das vítimas do massacre. O filme pode ser conferido no link abaixo.

Para todas as mães, desejamos um domingo iluminado! E força para seguirem sendo a luz de seus filhos.