O Mapa do Buda: música na região Centro-Oeste

Continuando a nossa viagem pelo Brasil com o objetivo de rastrear músicos talentosos em cada estado do país, a série O Mapa do Buda cruza a fronteira e chega na região Centro-Oeste. Se você faltou na aula de Geografia ou não vai ter acesso ao conteúdo porque nosso Ensino Médio tá passando por umas reformulações bizarras, Centro-Oeste é composto por três unidades federativas (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e um distrito federal. É pra lá que nós vamos, então apertem os cintos, prepare os fones de ouvido e simbora!

Sul (link: http://www.rockandhonda.com.br/blog-do-buda/mapa-buda-sul)

Sudeste (link: http://www.rockandhonda.com.br/blog-do-buda/mapa-buda-sudeste)


Mato Grosso do Sul

Não é todo dia que nos deparamos com uma banda que destrói no Blues com composições em português. Direto de Campo Grande, a Bêbados Habilidosos é uma das poucas do país que se arriscam. Entre um solo e outro de guitarra e instrumentos de sopro, as letras retratam a rotina cambaleante da vida boêmia, com direito a muita bebedeira e corações partidos. Em 24 anos de carreira, lançaram 3 CDs de inéditas, sendo um deles ao vivo. Parece que vem um quarto álbum por aí, mas será póstumo, já que a banda encerrou as atividades em 2014. Além disso, no ano passado, todos foram surpreendidos com a morte de seu vocalista, o bluesman Renato Fernandes. A importância do cara é tão significativa pra cena do Blues underground no Brasil que foi produzido um documentário sobre ele em 2011 intitulado “Ele é o Blues”. No mais, fica registrado o legado dos Bêbados Habilidosos, uma banda foda cujo som é de deixar qualquer um embriagado.


Mato Grosso

Nem tinha como ser diferente. Não foi à toa que o Macaco Bong foi a atração principal do primeiro Rock and Honda Sessions, que rolou em junho do ano passado. Direto de Cuiabá, o som instrumental com pegada atual e misturas experimentais comandado pelo trio é incrível, lisergia pura. Confira aqui (link: http://www.rockandhonda.com.br/blog-do-buda/macaco-bong) a entrevista exclusiva que fizemos com os caras.


Goiás

Com dois álbuns lançados há pouco tempo, um mais “colorido”, mais alucinógeno, e outro bem delicado, com devaneios oníricos, ainda é um pouco desafiador definir a goiana Boogarins. Só se sabe que ela veio pra ficar. No fim das contas, é isso que torna a banda um caso bastante curioso. Sem se prender a rótulos, o som vai do suave, envereda pelo comercial e termina na mais pura letargia. É um rock psicodélico não-linear, fragmentado, bem particular, porém com claras influências aqui e ali de Mutantes e The Kinks. Vale muitíssimo a pena conhecer e viajar com a sonoridade minimalista da banda, talhada em rupturas e contemplações. O último videoclipe lançado pelo quarteto (veja abaixo) acompanha o corpo de um gado entrando em estado de decomposição e sendo devorado por urubus. É essa a pira.


Distrito Federal

Naturalizado em Curitiba, o jovem músico Leo Fressato é sempre associado à capital paranaense, até pela parceria com A Banda Mais Bonita da Cidade, que o levou ao reconhecimento nacional com “Oração”, aquela música que não sai da cabeça por dias. Mas o Buda não se engana. Fressato nasceu em Brasília e por isso se faz presente nessa lista. Mas do Sul ou Centro-Oeste, pouco importa, o rapaz merece reconhecimento por fazer parte do panteão das novas e afinadas vozes masculinas da música popular brasileira, junto com Cícero, Silva, Filipe Catto, dentre outros cantores. E há vida para além de “Oração”, viu. Fressato tem um álbum lançado em 2013 chamado “Canções para o Inverno Passar Depressa” com músicas românticas, algumas nem tanto, outras mais brincalhonas, mas todas circulam o mesmo tema: o amor. Som pra ouvir em dias chuvosos, tomando aquele chá debaixo da coberta.