O Mapa do Buda: Música na região Sudeste

O Buda dá continuidade à série “O Mapa do Buda”, que pretende apresentar bandas e artistas musicais de responsa e provenientes de cada unidade federativa desse Brasilzão. Tudo isso para comprovar o óbvio: este país é repleto de músicos de imenso talento, e dentro de seus ritmos e batuques, fazem a diferença, expressam o seu regionalismo, misturam referências e merecem reconhecimento.

A cada mês, passeamos por uma das cinco regiões brasileiras. Em julho, começamos pelo Sul (link: http://www.rockandhonda.com.br/blog-do-buda/mapa-buda-sul), agora subimos para os quatro estados do Sudeste. Pode vir que a passagem é free.

São Paulo

Vocês não estão ligados na dificuldade de selecionar apenas uma banda de São Paulo. A veia cultural do estado é pulsante no que diz respeito à formação de bandas de rock independente. Em atividade desde 2009 e com dois álbuns lançados, O Terno é atualmente um dos grandes representantes desse “gênero”, tanto em questão de visibilidade como qualidade sonora. Com os dois pés no rock nacional dos anos 1960/1970, o trio demonstra astúcia por saberem onde pisam e de que fontes beber, de Tom Zé até Tame Impala, só gente confiável. Tudo isso engrenado para entregar uma musicalidade singular.


Minas Gerais

Som cru, arranjos rústicos, letras desafiadoras e vocal desafinado: essa é a mineira Lupe de Lupe, das mais curiosas bandas em atividade no cenário musical brasileiro contemporâneo. Quer dizer, os integrantes neste ano anunciaram uma pausa na carreira, mas prometem retorno para o lançamento do próximo álbum após deixar todo o mundo surpreendido e de cabelo em pé com o aspecto artesanal e temperado com desordem de “Quarup”, gravado no ano passado. Projeto bem ambicioso e com um conceito interessante, a Lupe de Lupe se intitula como “a banda mais barulhenta de Belo Horizonte”. Os caras são modestos, é das melhores mesmo.


Rio de Janeiro

Com dois EPs lançados nos últimos anos, a carioca Marcela Vale, ou Mahmundi, brinda 2016 com o seu primeiro disco e já entra direto no hall dos melhores álbuns lançados neste ano. De verve delicada e aquele mix envolvente de pop e R&B, a coletânea apresenta 10 faixas com versos românticos e absolutamente intensos, trazendo à tona o que de mais íntimo pode haver em uma relação. Musicalizar todo esses sentimentos de forma elegante e genuína – é notável a vibração melancólica de cada canção – não é para qualquer um não, demanda autenticidade. Que este seja o início de uma carreira frutífera, recheada de sucessos.


Espírito Santo

Há um bom tempo na estrada, talvez o que torna a veterana Zemaria desconhecida pela maioria dos brasileiros são as tours no exterior, já que a banda capixaba aquece as pistas mundo afora, sobretudo as da Europa, com as batidas cativantes que não negam as raízes tropicais. Aqui a palavra de ordem é criatividade. Referência da música eletrônica, o groove das guitarras em harmonia com sintetizadores e o vocal melódico dão o tom de uma música que faz dançar, mas também convida a experimentar um som mais detalhista e projetado de forma meticulosa. É uma fritação perfumada e o aroma é doce.