O Mapa do Buda: Música na região Sul

A partir do mês de Julho, o Blog inicia uma nova série intitulada “Mapa do Buda”. A ideia consiste em mapear em cada estado brasileiro um cantor, cantora, banda, grupo, enfim, algum artista do cenário musical que recomendamos aos nossos leitores que estão à procura de um bom som. Essa série também surge com o objetivo de comprovar uma teoria que não deveria levantar dúvida em mais ninguém, a de que no Brasil tem muita (ênfase no muita!) gente talentosa produzindo música do Oiapoque ao Chuí.

Se liga que a cada mês tem uma região nova. Como somos humildes, começamos por baixo: a região Sul. Pode pegar caneta e papel para anotar as dicas e abra a sua mente para receber os mais diferentes e ricos tipos de som. Expande-se! 

Paraná

Então, já começamos com uma puta indecisão. Paraná, a Rússia brasileira, é a terra do Rock and Honda e selecionar só um artista daqui foi bastante complicado... mas a escolhida foi o “rockomédia” da Banda Gentileza. Tendo o bom humor como um integrante ativo, o coletivo de Curitiba se assemelha aos conterrâneos do Charme Chulo pelas composições inspiradas e engraçadas, além da versatilidade de ritmos que dão aquele aspecto peculiar e única às canções. É daqueles sons que não dá pra ouvir sentado. 

 

Santa Catarina

Do litoral de Balneário Camburiú, o quinteto Nvblado demonstra bastante maturidade para um banda com somente 2 álbuns lançados, o “Afogado” (2013) e “Água Rosa” (2016), títulos que fazem menção direta ao símbolo da água. E tal qual, apresentam um som complexo e místico, que na mesma medida flutua na tranquilidade e melancolia, mas de forma abrupta, mergulha na mais densa angústia em algumas faixas. É cru, há versos desesperados, cantados aos berros e outros mais introspectivos, com apelo sentimental. Pós-punk e hardcore se fundem em um coletivo que transborda originalidade.

 

Rio Grande do Sul

Se em seu primeiro álbum, “Ian” (2014), o gaúcho Ian Ramil se mostra poético, excêntrico e disposto a brincar com os contrastes em suas letras, em seu último disco de inéditas – e melhor, na opinião do Buda –, “Derivacivilização” (2015), o caos reina e temos um compositor sangue nos zóio que denuncia o abusivo contexto social do país. Agressivo, com palavrões aqui e ali, o som é um grito de desabafo recheado de ruídos, reafirmando a musicalidade jovem, experimental e profissa do músico. Com bagagem musical vinda da família, Ramil é uma grande promessa, tendo feito parcerias com os conterrâneos do Apanhador Só e a revelação da MPB, Filipe Catto, o Ney Matogrosso da nossa geração. 

Em agosto, subimos no mapa e vamos para a região Sudeste. Acompanhe as sugestões toda primeira semana aqui no Blog do Buda! ;)