A artista está presente (em São Paulo)

Quem já ouviu falar da arte da performance já ouviu falar de Marina Abramovic, a sérvia, referência mudial das cênicas, é considerada um bichinho estranho - e consagrado - no mundo da arte. Um de seus espetáculos mais famosos, A Artista Está Presente, ganhou um documentário em 2013, após reunir 750 mil pessoas no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Nessa semana Marina desembarcou na cidade de São Paulo, por conta da exposição Terra Comunal, uma mega performance - a maior já coordenada pelo instituto da artista (MAI) - que chama atenção pelas diferentes interações: artista-público, público-espaço, artista-espaço, uma loucura, uma mistura de aprendizados. Não é a toa que os ingressos para o primeiro dia de encontro com Marina acasbaram em 10 (sim, dez) minutos.

A grande questão da arte da performance é que ela acontece essencialmente ao vivo. Não é possível prever seus resultados, produzí-la e distribuí-la previamente. A arte se dá justamente no momento em que é apresentada, sendo construída de acordo com a conexão entre artista, proposta, ambiente e público. Ou seja, não se leva uma obra pronta, ela é feita individual e exclusivamente no momento em que acontece. Nunca pode ser reproduzida.

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É claro que, dessa forma, a interpretação e a lição tiradas de cada ato acabam sendo individuais, mas ainda assim há sempre algo de universal nas performances de Marina. Em 1974, a consagrada exposição Rhythm 0 marcou profundamente a carreira da intérprete - e as nossas vidas - quando ela se colocou durante seis horas parada e disponibilizou 72 objetos para o público utilizar como bem entendesse. Eram rosas, almofadas, correntes e até uma arma com munição (!) durante esse tempo ela não reagiu a nada. O resultado foi assustador e, mais ainda, o comentário da artista sobre a apresentação:

O que eu aprendi é que se você deixar nas mãos do público, eles podem te matar. Eu me senti realmente violada. Cortaram minhas roupas, enfiaram espinhos de rosa na minha barriga, uma pessoa apontou uma arma para minha cabeça e outra a retirou. Isso criou uma atmosfera agressiva. Depois de exatamente 6 horas, como eu tinha planejado, me levantei e comecei a caminhar em direção ao público. Todos fugiram para escapar de uma confrontação presente.
— Marina Abramovic

Pesou aí também? Pode acalmar que para conhecer os trabalhos da artista é preciso realmente estar disposto a levar porrada, mas olha, ela consegue dar uma suavizada também (de vez em quando).
 
A exposição atual está no SESC Pompeia e vai do dia 10 de Março a 10 de Maio.