Os melhores de 2018 (até agora)

Chegamos à metade de 2018! O tempo voou e ninguém viu. Há alguns avanços para se comemorar, mas esses primeiros seis meses também ficaram marcados pelo absurdo no nosso país. As vitórias e derrotas são bem desproporcionais: greve dos caminhoneiros, Marielle Franco, Bolsonaro possível presidente do Brasil, 30 anos da nossa Constituição Federal e ninguém nem a respeita... Em tempos de Copa do Mundo, esse primeiro semestre foi um lamentável 7 a 1.

Lá fora, a coisa também está bem estranha: Trump só passando vergonha, as ameaças constantes da Coréia do Norte para uma guerra nuclear, a Argentina pedindo arrego pro FMI para equiparar as dívidas, etc. No campo cultural, pelo menos no que diz respeito às novidades e lançamentos que chegaram até nós, a coisa anima um pouco. E é muito sintomático observar como o nosso espectro político-social, todo esse circo armado no mundo, reflete diretamente em algumas produções. O Rock. adora uma lista. Pode nem ver um motivo para elencar uma relação de coisas que já está lá fazendo. Então, aproveitando o final do primeiro semestre, listamos os melhores de 2018 até agora na telona, na TV e nas caixas de som.
 

ÁLBUM NACIONAL

Elza Soares – Deus é Mulher

Após a porrada que foi “A Mulher do Fim do Mundo” (2015), e todos achando que este seria o seu último disco porque tinha gosto de despedida, Elza Soares, aos 87 anos, se reúne com sua equipe e retorna mais lírica, politizada e provocadora em “Deus é Mulher”. Toda a mensagem antirreacionária que testemunhamos no álbum de três anos atrás se faz presente neste novo lançamento, que se permite abusar da aura punk em algumas faixas, abastecendo o discurso feroz, quase anárquico da artista, sobre a posição da mulher nos mais diversos âmbitos que ela atua ou deveria atuar.

Também merece destaque:
Cordel do Fogo Encantado – Viagem ao Coração do Sol
Irmão Victor – Cronópio?
Silva - Brasileiro


ÁLBUM INTERNACIONAL

Father John Misty – God’s Favorite Customer

Um dos principais atributos de “God’s Favorite Customer”, novo álbum do Father John Misty, é a simplicidade. Em 10 faixas, o cantor Josh Tillman faz algum tipo de bruxaria e consegue te acolher com os versos melancólicos e até íntimos que molduram as canções. E aí não se sabe muito bem se rola algum tipo de identificação, se é a sonoridade “redondinha”, a narrativa habilidosa das composições, a despretensão ou a coerência entre as músicas que torna este álbum tão bonito e com tudo em seu lugar. Ou também pode ser a junção de tudo isso. Father John Misty é uma das atrações do Queremos! Festival, que rola em agosto na capital paulista. Tá aí uma ótima oportunidade de conferir este trabalho ao vivo.

Também merece destaque:
CHVRCHES – Love is Dead
Florence + The Machine – High as Hope
Gorillaz – The Now Now
 

SÉRIES

The Americans

“The Americans” chegou ao fim com o recente lançamento de sua 6a temporada. É uma série pouco conhecida no Brasil, o que é uma pena, já que é fácil uma das dramaturgias atuais mais sofisticadas da televisão norte-americana. A série começa um pouco devagar, mas quando se encontra lá pela season 2, prepare-se para um trabalho refinadíssimo de storytelling, o que compreende uma direção segura e atores de primeira linha – Matthew Rhys e Keri Russell – à frente de uma trama ambientada na Guerra Fria, em que dois espiões russos se infiltram nos EUA e fingem ser um casal. Se estiver em final de semestre ou prestes a entregar algum trabalho da faculdade, espere pra começar depois porque “The Americans” é viciante. Dica.

Também merece destaque:
Atlanta
Dear White People
The Staircase
(essas 3 séries estão disponíveis na Netflix)
 

CINEMA

Arábia

Em uma fábrica de alumínio em Ouro Preto, interior de Minas Gerais, um jovem encontra o diário de um trabalhador que sofreu um acidente. A partir dessa premissa, “Arábia” desencadeia uma potente análise desconstrutiva do trabalhador brasileiro, e é tão admirável como o roteiro se desdobra e a astúcia da dupla Affonso Uchoa e João Dumans na condução desta trama que não dá para negar que estamos diante de um triunfo do cinema brasileiro. “Arábia” não é só um dos melhores filmes do ano, o Rock. ousa em dizer que é um dos títulos mais relevantes da nossa cinematografia nos últimos anos.

Também merece destaque:
120 Batimentos por Minuto
Aniquilação (tem na Netflix)
Pantera Negra