As vozes da música LGBT brasileira

A diversidade não respira mais com auxílio de aparelhos na música brasileira. Calma lá, não sejamos tão ingênuos, muita coisa ainda precisa mudar – a intolerância das pessoas, acima de tudo –, mas é de se comemorar que vários artistas LGBT conquistaram seu espaço no último ano e hoje são verdadeiros fenômenos da atual música pop. Esse reconhecimento é muito importante, e não estou falando só do universo musical; é importante pela representatividade de uma minoria e por dar voz a quem é calado diariamente. Você pode não curtir o som, achar que algum deles (ou todos, enfim) é sem talento... não é isso o que está em pauta: a visibilidade dessas pessoas e o que elas expressam, na música ou qualquer outra forma de manifestação artística, é necessária.

No Brasil, quem ostenta a coroa de rainha da música LGBT é, sem dúvidas, Pabllo Vittar. Após o lançamento de seu álbum de estreia, “Vai Passar Mal”, no início deste ano, a drag queen de apenas 22 anos já alcançou o topo do Spotify, toca suas músicas nas rádios, lidera a banda fixa do programa global “Amor & Sexo” (pois é, quem diria Rede Globo...), ultrapassou a influencer Ru Paul como a drag com mais seguidores no Instagram, já fez feat. com cantor e DJ gringos, etc. Tudo isso somente com um disco na conta, muita simpatia, singles que grudam, o bem-vindo ativismo e uma legião de fãs, gay ou hétero, que conquistou durante sua pequena jornada.

Para quem é ou vai estar em Londrina nesse final de semana, fica ligado que Pabllo Vittar tem show marcado na terrinha neste sábado, dia 29.

Aproveitando o ensejo, o Buda te apresenta outras três artistas que levantam a bandeira colorida e soltam a voz para musicar o empoderamento da comunidade LGBT.
 

MC LINN DA QUEBRADA

Mulher transsexual de 26 anos de idade e declaradamente uma ativista pelas causas dos LGBTs, a MC Linn da Quebrada lota casa de shows por onde passa com seu mix de rap/ funk e letras que abordam a questão de gênero e identidade para deixar qualquer homofóbico de cabelo em pé. Entre setembro e outubro deste ano, ela vai ampliar seu repertório com o lançamento do seu primeiro álbum, intitulado “Pajubá”.


GLORIA GROOVE

Hip-hop esperto, atitude e muita ginga formam a receita de sucesso de Gloria Groove, uma das principais revelações da cena drag paulista. Começou em casas de show fazendo covers de Beyoncé e Nicki Minaj, mas meteu o louco, lançou seus singles há pouco tempo e trilha um caminho curto e de sucesso certo – só tem 22 anos de idade. Quando não está transformada, Gloria Groove é Daniel Garcia. Inclusive, no videoclipe abaixo, ela intercala imagens como drag e como homem. Dona!


AS BAHIAS E A COZINHA MINEIRA

Sempre ressaltando os efeitos do feminismo, tá mais que na hora d’As Bahias e a Cozinha Mineira voltarem pro estúdio. Enquanto isso não acontece, a gente aproveita o samba delicioso do álbum “Mulher”, de 2015. Quanto ao nome da banda, as Bahias são representadas pelas vocalistas transsexuais Assucena Assucena e Raquel Virgínia, ambas de 29 anos. Já o restante, a Cozinha Mineira, é formado por cinco músicos, que vão da guitarra à percussão. No vídeo abaixo, uma das principais faixas do até então único álbum do grupo. Lembra muito Gal Costa...