O que não ler/ouvir/assistir no Dia dos Namorados

A tal da ironia... quem nunca foi vítima? Quantos momentos que você já não se sentiu um idiota porque não entendeu nada? Ou entendeu errado e só gerou discussões e impressões equivocadas? Quantas amizades desfeitas, namoros arruinados e casamentos desmanchados...? Para não correr o risco de ser com você neste Dia dos Namorados, o Buda listou algumas obras que enganam pelo título – justamente por causa da ironia, essa maldita.

Cuidado com os presentes e a programação para o domingo, certifique-se de que o rolê é garantido e, de fato, romântico, porque às vezes vocês vão ver um filme que acha ser ideal e tem uma puta história deprê, aí querem fazer “o casal culto” e vão assistir uma peça de teatro que parece bonita, mas que quebra totalmente o clima... enfim. De qualquer forma, ficam como dicas culturais, porque tudo o que o Buda selecionou como sugestões é bem foda, mas não recomendadas para curtir a dois no dia 12 de Junho. Discernimento né, acima de tudo.

 

NÃO OUÇA: Cigarettes After Sex

O vocal é aveludado, gostoso de ouvir, letras que citam a palavra “love” a cada verso e “pra ajudar” o nome da banda é bem sexy, mas não caia nessa! Ainda mais quem derrapa no inglês, joga a tradução no Google e vai ver que todas as canções da banda Cigarettes After Sex falam de término de relacionamento e despedidas. E pior que o estilo da música engana, soa romântico, mas é uma bad atrás da outra. Pra quem não conhece, CAS é um quarteto norte-americano independente com uma sonoridade curiosa e pouco convencional. Até então, eles só lançaram em 2012 um EP intitulado “I”, mas em breve entram no estúdio para lançar o primeiro álbum oficial. Dá o play e sinta a deprê.

 

NÃO LEIA: “Amor” (Clarice Lispector)

Eita, o que dizer? É meio tenso ver a palavra “amor” e Clarice Lispector na mesma frase, porque quem é familiarizado com as obras da escritora – uma das melhores da nossa Literatura – sabe que de amor romântico ela não vai falar. Para os desavisados, encarem a leitura com os dois pés atrás. O conto narra uma tarde na vida de Ana, mulher casada, mãe de dois filhos e que dedica a sua vida integralmente à família. No trajeto do bonde, voltando para a casa depois de fazer compras, ela se permite enxergar um mundo do qual não faz parte, em que as pessoas têm sangue correndo pelas veias, não agem como um robô programado para ser uma dona-de-casa, uma mãe dedicada e uma esposa exemplar. “Amor” mostra que há um mundo à parte que, ao fazermos escolhas, viramos as costas a ele. Em poucas linhas, Lispector escancara que da mesma forma que o amor nos liberta, também nos aprisiona.

 

NÃO ASSISTA (CINEMA): “Namorados para Sempre” (Derek Cianfrance)

Algo que todo mundo se pergunta é “quem dá essas traduções sem sentido para os filmes?”. Um dos casos mais absurdos que se tem nota é “Blue Valentine”. No pé da letra, seria algo tipo “Dia dos Namorados Triste”, e numa jogada de marketing furada os caras da distribuidora resolvem batizar o filme no Brasil como “Namorados para Sempre” (!!!!). Não tem nem como julgar quem vai ver esse filme esperando o ápice do romantismo porque olha esse título! Na real, é uma das histórias mais tristes e dolorosas sobre relacionamento dos últimos anos. É um baita filme, foi indicado ao Oscar, os atores estão excepcionais, o roteiro é muito bem contado, bastante realista e pé no chão... mas não é pra se assistir no Dia dos Namorados, é um filme anti-namoro, anti-casamento. Dê o play por sua conta em risco.

 

NÃO ASSISTA (TEATRO): “Vestido de Noiva” (Nelson Rodrigues)

Daí você resolve ir ao teatro com a/o crush e a peça em cartaz é “Vestido de Noiva”. Olha só, fala de casamento, felizes para sempre, nada mais romântico, não é mesmo? Errado! Nelson Rodrigues deixou os escrúpulos em casa e revolucionou a linguagem do teatro brasileiro com uma peça imunda, cuja trama apresenta uma família no centro rodeado de vingança, adultério e morte. Não é dos melhores programas pro dia 12, concordam?


A todos os casais, o Buda deseja um feliz Dia dos Namorados! <3