Qual a paternidade do Rock?

No fim de semana do Dia dos Pais, é bem propício retomar aquela velha questão: “Quem é o Pai do Rock?”. O Diabo? Antes fosse mesmo, porque aí cessariam as discussões a quem atribuir a paternidade, quem deu os primeiros acordes na guitarra, criou o ritmo, definiu o estilo. Tem gente que leva em conta o pioneirismo, quem chegou primeiro e mandou o som; tem outros que consideram a representatividade ou quem popularizou o rock mundo afora, tornando-o conhecido.

Enfim, é uma discussão meio que eterna, não há espaço para DNA, cada um tem o pai que quiser e escolhe pelos motivos que achar mais conveniente; fato é que há uma gama de músicos que foram peças fundamentais para dar base a esse som que curtimos tanto. A única certeza que temos é: o rock é um bastardo e, talvez por isso, muito foda.

O Buda selecionou cinco nomes de responsa cujas contribuições foram essenciais para a raiz do rock que conhecemos hoje.


Robert Johnson (1911 – 1938)

Originalmente, o nascimento do blues é atribuído aos escravos norte-americanos, que encontraram na música um refúgio ao sofrimento nas fazendas de algodão. Mas para cantar as dores desse povo, foi na voz de Robert Johnson, o próprio “bluesman” e seu inseparável violão, que o ritmo ganhou repercussão. E como todos sabemos, o blues ecoa diretamente com o surgimento do rock, então Johnson merece créditos e reconhecimento, até porque foi o precursor dos músicos talentosos que morrem aos 27 anos e, reza a lenda, mantinha um relacionamento bem próximo com o Capiroto. Respect.

 

Jackie Brenston (1930 – 1979)

Muitas pessoas consideram “Rocket 88” (ouça abaixo) a primeira canção de rock gravada na história. Lançada em 1951, é interpretada pelo saxofonista Jackie Brenston em parceria com a banda de Ike Turner – que se casaria anos depois com Tina Turner. Um dos nomes proeminentes do R&B, era um dos principais contratos com a famigerada gravadora Chess Records, abrigo de muitos músicos renomados que fizeram história.

 

Hank Williams (1923 – 1953)

O hit “Move It On Over” (ouça abaixo), lançado em 1947, colocou o compositor Hank Williams no mapa para se tornar um ícone da música country norte-americana, referência para diversos músicos do gênero. E da mesma forma que o blues, representando em Johnson, teve influência direta ao rock, o country tradicional de Alabama – ou o folk, como quiserem –   também teve a sua dose de inspiração. Relativamente abafado pela história, Williams deixou um legado indescritível pra música, seus filhos e netos seguiram seus passos, ganhou cinebiografia e até um Prêmio Pulitzer. Definitivamente, um nome que não deve ser ignorado.

 

Elvis Presley (1935 – 1977, ou será que tá vivão?)

Esse aqui nem precisa de apresentações, não é mesmo? Ainda que seja considerado o “rei do rock”, não dá para negar que teve gente que chegou primeiro. A primeira de Elvis foi lançada em 1954, intitulada “That’s Alright (Mama)” (ouça abaixo) e ganhou a atenção da mídia, não só pela qualidade musical, mas pelo rosto bonito e outros atributos que envolvem a música, é claro. Presley é um gênio e se o seu nome está na boca de todos até hoje não é à toa, não.

 

Chuck Berry (1926 – tá vivão)

Assim como Brenston, Chuck Berry também é cria da Chess Records. Em 1955 ele gravou “Maybellene” (ouça abaixo), que propunha justamente a receita dos dois estilos já mencionados no texto que originaram o rock: o blues bem temperado com música country. E a partir daí já virou ícone e está aí na ativa até hoje, subindo aos palcos aos 90 fucking anos de idade. Em 2013, Curitiba teve a benção de ver esse cara tocar, e mesmo com a saúde debilitada, quem estava lá ou viu os vídeos que saíram na internet testemunha que o carisma e o talento continuam intacto.