Tatua que Cura

O imprevisto coordena a vida. Por mais que as pessoas se esforcem em planejar, algo sempre sai fora da linha. As vezes, o resultado da surpresa é imediatamente positivo, em outras o aprendizado dói e deixa cicatrizes, literalmente. Mas, já dizia Neruda, se nada nos salva da morte, ao menos que o amor, ou nesse caso a arte, nos salve da vida. As tatuagens, que já foram encaradas socialmente sob as mais diversas óticas - das mais perversas à “pura estética” - tem prestado serviço à saúde e à autoestima.

Não se sabe bem quem começou essa história, mas por sorte a disseminação foi rápida e muita gente já foi contagiada. Em especial as vítimas de câncer de mama, que precisaram passar por mastectomia, trazem nos seios doloridas marcas, que muitas vezes as levam a lugares e momentos que desejam superar. Foi a partir dessa necessidade que a arte se juntou à solidariedade e as tatuagens vieram colorir as lembranças doloridas.

Atualmente são muitos os tatuadores que se dispõe a realizar o procedimento da melhor forma: Com profissionalismo, respeito e tchã tchã tchã: De graça! O tatuador Reuber Mattos, de Maringá, atua hoje em Curitiba e conta que há algumas formas de cobrir a cicatriz. “Podemos fazer uma avaliação e encontrar a melhor forma de cobrir os efeitos, como correção das auréolas ou um desenho delicado que cubra as marcas”, explica.

Desse disparo inicial, várias outras pessoas também se beneficiaram, encontrando na técnica uma maneira de lidar com a dor que sofreram. Cicatrizes de acidentes, cirurgias, traumas em geral também têm sido contempladas pela técnica, que não é tão simples quanto parece. A cicatriz pede cuidados específicos na hora de ser preenchida, como o cuidado com a tinta, os materiais e muita, muita paciência. A regra continua endo clara: Quanto maior a confiança entre tatuado e tatuador, melhor.