Violent Femmes Hotel

Da mesma forma que começaram nas ruas e cafés de Milwaukee, Wisconsin, em 1981, tocando instrumentos acústicos com força e vigor, os norte-americanos da banda Violent Femmes continuam 38 anos depois, com o décimo álbum de estúdio: “Hotel Last Resort” (2019).

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Conhecida como uma banda de rock alternativo e pós-punk, Violent Femmes ganhou destaque principalmente pela mistura de folk com rock e as músicas curiosas, excêntricas e carregadas de humor. Inicialmente formado pelo baixista Brian Ritchie e o percussionista e baterista Victor DeLorenzo, o projeto tornou-se um trio com a entrada do guitarrista e vocalista Gordon Gano. Ainda como artistas de rua, foram descobertos por James Honeyman-Scott e Chrissie Hynde, da banda The Pretenders, que o convidaram para abrir o show deles em agosto de 1981, no Oriental Theatre, em Milwaukee.

O sucesso obtido com as músicas do primeiro disco, “Violent Femmes” (1983) – Blister in The Sun, Kiss Off, Add It Up, Gone Daddy Gone, entre outras –, foi responsável pela popularização descomunal para uma banda de rock alternativo da época. O álbum rendeu também um disco de platina, com mais de um milhão de cópias vendidas.

Desde então, muitas trocas de integrantes e duas separações já aconteceram. Atualmente, Ritchie e Gano são os únicos músicos da formação original, e também os dois únicos que sempre estiveram na banda. O percussionista John Sparrow e o multi-instrumentista Blaise Garza completam o agora quarteto Violent Femmes.

O disco “Hotel Last Resort” foi gravado em Denver e produzido por Ted Hutt. Com 13 faixas, o décimo trabalho em estúdio do grupo acrescenta às composições estranhas, o barítono, saxofone, teremim e harmônio, além do tradicional baixo, guitarra e percussão/bateria. Sem contar a presença da guitarra de Tom Verlaine, da banda Television, em Hotel Last Resort, e a participação do skatista Stefan Janoski, em I’m Nothing.

O humor do principal compositor, Gordon Gano, continua presente e pode ser notado na primeira faixa, Another Chorus, em que o vocalista pede, no refrão, para que não se cante outro refrão. “That's the thing that starts to bore us / Please don't sing another chorus”. O humor une-se à crítica em Adam Was a Man, quando Gano satiriza Gênesis e o pecador eternamente arrependido.

Como uma balada à la Bob Dylan, Paris to Sleep fala sobre o terrorismo e a necessidade do amor para que o terror não continue nos assustando: “Please, lover, don't let the terror scare us too deep / And I came to Paris to sleep”.

A banda retoma os tempos áureos do rock alternativo na releitura de I’m Nothing, do disco “New Times” (1994), e mostra que as letras continuam potentes, certeiras e sonoras em Sleepin’ At The Meetin’, cantada a capela.

Na minha adolescência, comi com farofa o primeiro disco da Violent Femmes, no mesmo prato que Silver Jews, Pavement, Preston School of Industry, Pixies e tantos outros. Mas desde o lançamento de “We Can Do Anything” (2016), primeiro disco depois de 16 anos de inatividade em estúdio, considero Brian Ritchie e Gordon Gano como importantes nomes do cenário musical contemporâneo. “Hotel Last Resort” é mais uma prova.







Rafael DonadioComment